Li há pouco um levantamento do Linkedin com as empresas mais procuradas para se trabalhar no Brasil. Nomes consagrados e que fazem parte do cotidiano da população estão lá, e outros que podem não ser conhecidos do público geral, mas que fazem muito sentido para quem está inserido no tal “mercado corporativo”.

Muito legal perceber que dentre as “top 10” da lista, oito empresas são brasileiras ou têm um forte DNA tupiniquim na sua gestão. Não gosto de protecionismo, mas acredito que vale essa observação nesse momento de instabilidade econômica que vivemos, para quem sabe, nos inspirarmos e valorizarmos o que dá certo.

Vim escrever este texto porque sempre que vejo uma lista assim, penso em sonhos, em motivação, mas penso também em preparação, mudança, expectativa, realidade e frustração.

Sou pessimista? Não mesmo! Acredito muito nas pessoas e na capacidade delas de mudar um cenário, de realizar aquilo que estiverem dispostas. Só que para isso, acredito que elas precisam se conhecer, e saber o que realmente querem. Faço da minha profissão atual ajudar as pessoas nisso.

Também não estou aqui vendendo meu peixe. O que quero é ajudar vocês a refletirem um pouquinho.  Um dos parâmetros da pesquisa é o tamanho das empresas. Para estar na lista a empresa tinha que ter ao menos 500 funcionários. Outros pontos que foram considerados como potenciais na metodologia foram o número de visualizações e candidaturas às vagas disponíveis, quantas pessoas que não trabalham na empresa tentam se conectar com os funcionários, e quanto tempo um colaborador permanece na empresa após ser contratado. Tudo isso baseado em dados dos usuários do Linkedin.

Agora eu volto ao título do meu texto. Se você chegou até aqui é por que estava curioso no que eu falaria. Por isso te agradeço e digo que não acabei. Como num filme, chegamos no clímax e daqui para frente vou explicar a razão pela qual escolhi esse tema.

Obviamente é impossível você estar em todas essas empresas ao mesmo tempo. E a chance de você passar por todas elas na sua vida são bem reduzidas. Ao mesmo tempo, muitas delas devem te chamar atenção, despertar curiosidade e até mesmo vontade de estar “lá”. É aqui que pergunto: o que te atrai numa empresa?

Das 25 mostradas na lista, os planos de carreira, benefícios, e possibilidades são os mais variados. Sim, você deve procurar por isso, mas sua busca deve ir muito além. Talvez a melhor pergunta para se fazer ao cogitar tentar uma vaga numa empresa seja: “o que eu tenho a ver com ela?”.

Simples de responder? Talvez não seja. Para quem está começando a carreira, a chance em uma grande empresa é uma porta interessantíssima de entrada no mercado. Mas você sabe o que esperar? Sabe quais são os valores, a missão e o objetivo daquela corporação?

Uma maneira de entender se você se encaixa é conversar com as pessoas que estão lá ou que já estiveram. O objetivo disso é entender não só o cotidiano da empresa, mas principalmente o perfil de quem esteve ou está naquela organização. O que aquela pessoa têm de experiências positivas? E o que ela não gostou?

Não existe empresa dos sonhos. Assim como tudo que fazemos na vida, nosso trabalho têm as partes chatas. O que pode existir é um lugar onde nós possamos alcançar nossos objetivos. Mais do que saber seus objetivos, a forma como alcança-los é primordial. Ao decidir por uma empresa você deve saber o que quer e as etapas para conseguir o que almeja.

Lembre-se que vivemos num processo constante de aprendizado, onde a qualidade das informações que absorvemos nos leva a uma melhor decisão. Não se iluda com o gramado do vizinho, achando que ele é mais verde que o seu. Tome decisões baseadas nas suas vontades, mas sabendo reduzir ao mínimo a diferença entre expectativa e realidade. Isso vai evitar um dos maiores inibidores do seu talento: a frustração.
hamb

*Se quiser saber mais sobre a metodologia, o link é esse: https://www.linkedin.com/pulse/bastidores-do-top-attractors-o-que-descobrimos-com-os-daniel-roth