Mais do que um texto para este blog, esse é um relato pessoal. Há quase 10 anos, quando estava prestes a completar 25 anos, eu resolvi deixar o início de uma promissora carreira por motivação pessoal, para ir morar fora. Eu até hoje não sei se me achava apostável. Tinha muitas dúvidas desde a escolha da minha faculdade. Pensei em economia, relações internacionais, relações públicas, e até tive vontade de ser oftalmologista.

Dúvidas que não sabia responder, que me incomodavam. Que me faziam pensar no que viria pela frente, no que eu realmente queria. Aí veio aquele questionamento que aparece em etapas diferentes da vida, mas que é muito comum para muitas pessoas. “Será que devo ir morar fora?”.

Morar fora é algo maravilhoso. Mas isso é a constatação de quem foi com um plano de ficar 2 anos e ficou 6. De quem hoje têm mais maturidade do que quando foi, e sabe olhar o que deu certo e o que deu errado. Lá atrás quando resolvi ir, se passaram seis meses entre eu ler uma reportagem que me instigou e desembarcar na maravilhosa Gainesville, cidade que sedia a University of Florida.  

Mas escrevi esse texto para contar por que resolvi ir, afinal, houve muita motivação pessoal ai e eu quero vos explicar o motivo. A resposta para essa pergunta é simples: fui buscar felicidade. Queria ir para California, “viver a vida sobre as ondas”, ter historias incríveis para contar e achar meu propósito de vida. Fui parar numa cidade incrível, como disse, mas muito diferente daquilo que sonhava, e há uns 4.400 km de distância. Gainesville têm 125 mil habitantes, não têm praia, não era o cenário que eu julgava ideal para contar as historias que queria contar.

Aí que vêm a primeira dica que queria dividir com vocês: a relação entre expectativa e realidade é fundamental na hora de construir seus objetivos. Na verdade não só quando construímos, principalmente quando estamos no caminho para alcança-los. Se jogamos nossas expectativas lá em cima e a realidade não condiz com nossos sonhos, vamos nos frustrar. Aprendi com o tempo que a frustração é parte fundamental no jogo da vida. Faz a gente crescer. Mas quando planejamos (coisas que não fiz muito na hora de ir morar fora), o tamanho da frustração se as coisas não saem como sonhávamos, é menor. Erramos e acertamos. Mas o que vai valer é como lidamos e, principalmente, superamos nossas quedas.

Se eu fosse falar sobre toda minha experiência de morar fora, escreveria não só esse texto, mas provavelmente um livro que eu adoraria ler. O que mais quero dividir é o seguinte: antes de ir não parei para olhar para dentro, para me conhecer. E isso é fundamental em qualquer decisão que a gente vá tomar na vida, seja numa decisão pessoal ou profissional. Entender porque estamos optando por uma coisa (no meu caso ir buscar a tal felicidade) em troca de outra (ficar aqui e construir a tal carreira promissora), é fundamental. É um começo para analisarmos o que realmente queremos, o que somos, e como devemos fazer.

No meu caso, deu certo. Mas a felicidade não estava nos EUA, assim como não estava na realização de uma carreira promissora. A felicidade estava dentro de mim, e eu fui aprender isso quando permiti me conhecer. Se você está com dificuldade de se realizar, procure alguém para te ajudar com isso. Tenha certeza que você não está fugindo de algo. Não deixe de sonhar, mas principalmente, saiba como você vai realizar.